"Parar, nada. Quem para perde o dia, a cesta básica... é o maior prejuízo".
- Trocador da linha 46, viação Pendotiba, explicando por que não aderira à greve dos rodoviários que parou Niterói, prejudicando cerca de 1 milhão de pessoas que dependem de transporte público. Eu incluso.
A crise tá feia, a ponto de empregado não trocar a lata de sardinha e o saco de fubá Sinhá por reivindicações trabalhistas. Fazer piquete em porta de empresa, bem verdade, não enche barriga. Dá fome, aliás.
"Ruim com ele (o emprego), pior sem ele", já dizia uma sábia colega dum ex-trabalho.
Eu optei pela segunda opção, contrariando o ditado da funcionária-padrão.
A maré não está pra peixe
Na Petrobras, a greve dos petroleiros completou cinco dias. A categoria luta por melhores condições de segurança, além de maiores benefícios trabalhistas, como aumento da participação nos lucros da estatal. Querem morder uma fatia maior do último balanço divulgado pela Petrobras, que aponta lucro recorde de R$ 33 bilhões em 2008.
Eu também quero. Afinal, a empresa é minha também. Quem disse foi o Lula.
"O que não sobe, não baixa"
Foi com esse sofisma genial que o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, justificou, no Congresso, o motivo do preço da gasolina brasileira não baixar, contrariando a tendência mundial.
Fossem mais perspicazes, congressistas e jornalistas não insistiriam na pergunta.
Ora, José Sérgio Gabrielli é baiano. Daí que é mais devagar, como todo bom baiano. De modo que está sempre atrasado em relação à política de preços praticada pelo mercado internacional. A gasolina não baixa porque Gabrielli ainda está em 2008, quando o barril de petróleo rompeu, com distância, a barreira dos US$ 100.
Simples assim.
E o Brasil? Brasileirinho!
2 comentários:
Grandes observações, caro amigo!
Neste país dominado pela lei do você-sabe-com-quem-está-falando?, o povo pensa sempre que "poderia ser pior" e, quando tem um surto de revolta e resolve lutar pelos seus direitos, desconhecidos pela maioria, é tarde demais!...
Realmente, falta a noção, por parte da grande massa trabalhadora, da importância da luta pelos seus direitos e como isso poderia beneficiá-lo positivamente. Porém, por outro lado, claro que o sistema já "pensou" nisso antes...
Um grande abraço,
Rafael Faraht Saraiva
Olá!
"A crise tá feia, a ponto de empregado não trocar a lata de sardinha e o saco de fubá Sinhá..."
FUBÁ SINHÁ?
auhauhauha...
Essa matou a pau, adorei!
É uma pena que o trabalhador tupiniquim tenha direitos, mas não possa lutar por eles...
A greve atrapalha a vida da população, mas em alguns casos, é a única forma da categoria ser ouvida.
E esse esquema do preço dos combustíveis... o que falar?
Será que para se ter um preço justo, acesso a bens duráveis e baratos eu preciso morar no velho continente?
Então é para lá que eu vou... voando!
Kiso
http://garotapendurada.blogspot.com/
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